domingo, 28 de março de 2010

Festa de S. Brás




Festas e Romarias


As festas e romarias tão caras à alma do nosso povo crente e folgazão, têm uma função simultaneamente religiosa e social.
As festas e romarias são um traço típico da cultura popular e tradicional do nosso povo. Estas manifestações extremamente numerosas e variadas, acontecem um pouco por todo o país, e fazem parte das tradições e memórias de um povo que luta para manter actual a cultura secular que lhe confere uma identidade muito própria.


- São Brás – “Vila Velha” (Vila Real) -2 e 3 de Fevereiro

- São Lázaro - Bairro dos Ferreiros ( Vila Real ) - Domingo de Lázaros, anterior ao Domingo de Ramos

- Nª Sª De Guadalupe – Ponte (Mouçós) – 2º Domingo de Maio

- São Bento – São Tomé do Castelo – 1º Domingo de Junho

- Sto António – Vila Real – 13 de Junho

- São Pedro – Vila Real – 28 e 29 de Junho

- São Cristóvão - Parada de Cunhos - Último domingo de Junho

- São Frutuoso e Sta Maria da Feira – Constantim- último Domingo de Julho

- Senhor Jesus do Calvário – Vila Real - Julho

- Mártir São Sebastião e Sta Maria Maior – Borbela – 1º Domingo de Agosto

- Nª Sª de La Salette – Vila Cova – 15 de Agosto

- Nª Sª de Lurdes – Justes – 3º Domingo de Agosto

- Sta Ana - Campeã – Último Domingo de Agosto

Festa do Corpo de Deus – (Vila Real) – Quinta-feira a seguir ao Domingo da Santíssima Trindade.

Nª .Sª. da Almodena – Bº da Almodena – Vila Real – 8 de Setembro

Nª . Sª da Pena – Mouçós – 2º domingo de Setembro





Festa de S. Brás e de Santa Luzia

Os “pitos” e as “ganchas” são, desde sempre, parte integrante da tradição religiosa e cultural de Trás-os-Montes e Alto Douro. As festividades em honra de Santa Luzia e de São Brás demonstram a linha ténue que separa o sagrado do profano.
Depois de entregues, a 13 de Dezembro, os respectivos “pitos” de Santa Luzia, chega a vez das “ganchas”, no dia 3 de Fevereiro, retribuírem o favor e fazerem jus à tradição. Sendo assim, em Vila Real, como de costume, as “Marianas” instalaram-se junto ao antigo Liceu, com uma mesinha à frente, coberta por um pano branco, decorado com as afamadas iguarias.
Segundo a sabedoria antiga, “a ‘gancha’ é a receita de São Brás para nos livrarmos do mal das goelas”, um santo que viveu entre os séculos III e IV na Arménia e que ficou conhecido por retirar com a mão um espinho da garganta de uma criança. O doce de calondro dos famosos “pitos” é a medicação de Santa Luzia para a vista, e os “cavacórios” de São Lázaro servem para combater as bexigas, o último doce desta cadeia tradicional que termina por altura da Páscoa. Contudo, a tradição já não é o que era e torna-se cada vez mais raro ouvir alguém a cantar:

"Vou ao São Brás
De cu ó pra trás
Buscar uma gancha
Para o meu rapaz.

Vou ao São Brás
De barriga prá frente
Buscar uma gancha
Para a minha gente."

Filipe Ribeiro

Lenda do Santo Soldaddo




Existe na Igreja da Misericórdia uma sepultura de José Custódio, fuzilado, ao que o povo diz, inocentemente, em 12 de Maio de 1813.
O “Santo Soldado” é uma história de um militar, de nome José Custódio, que prestava serviço, como soldado, no Regimento de Vila Real quando foi acusado de um roubo sacrílego.
Este soldado era muito valente e amigo de toda a gente mas apesar de ser um bom soldado, tinha um primo com o intuito de o prejudicar. Este roubou um cálice valioso de ouro numa igreja local, tendo-o colocado na mochila do soldado.
Desta forma aquando da procura do cálice desaparecido este foi encontrado na mochila do soldado.
Julgado em tribunal militar, foi condenado à morte, executado a arcabuz, no lugar hoje denominado o Arcabuzado, em virtude deste acontecimento.
Diz ainda a tradição que, sabendo o pai do soldado o que o filho era, foi a Lisboa pedir clemência ao rei, tendo o pai do soldado José Custódio solicitado o perdão do rei para seu filho, aquele era o portador do indulto régio, quando ao chegar à Ponte do Sordo ouviu a descarga das espingardas do pelotão que fuzilou o valente soldado.
Logo teve o pressentimento que chegava tarde demais. Pois José Custódio, embora tivesse jurado até à morte a sua inocência, jazia para sempre morto.
Assim, morre o inocente, uma vez que não foi ele que roubou o cálice, mas sim o seu primo. Este, tinha todos os motivos para o querer ver morto. Em homenagem ao sol-dado inocente, no local foi erguida uma capela.
Este acontecimento abalou tão profundamente a gente da cidade que logo o passou a venerar como “Santo Soldado”, e a invocá-lo nas necessidades e aflições.
E esta fé aumentou ainda quando, tempos depois, um outro soldado (o seu primo) confessou ter sido ele o autor do roubo.